Veja quais foram as mais impactantes obras de umas da maiores escritoras da história do Brasil
• Quem foi Clarice Lispector?

Chaya Pinkhasivna Lispector nasceu no dia 10 de dezembro de 1920 em Chechelnyk, cidade localizada na atual Ucrânia. Filha de família judaica, foi obrigada a fugir de seu país natal ainda bebê devido à perseguição aos judeus promovida pela Guerra Civil Russa. Acabou chegando ao Brasil apenas em 1922, na cidade de Maceió, mas não demorou muito para se mudar com seus parentes para Recife. Com 14 anos, por fim chegou ao Rio de Janeiro, onde viveu até o dia de seu falecimento decorrente de um câncer de ovário no dia 9 de dezembro de 1977.
Tendo recebido o nome de Clarice quando chegou ao Brasil, a escritora estudou Direito na Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas sempre demonstrou interesse por Literatura. Começou trabalhando como tradutora na revista Vamos Ler! em 1941, traduzindo obras de diferentes autores das mais variadas línguas. Inclusive, seu conhecimento sobre 7 línguas diferentes (português, inglês, francês e espanhol fluentes; hebraico e ídiche relativamente fluentes; e russo, com pouca fluência) era uma das suas mais impressionantes habilidades. Em 1943, finalmente lançava sua primeira obra literária, contudo ainda teve algumas obras publicadas post mortem até o ano de 2007.
• Qual é o estilo de literatura da autora?

Clarice Lispector é uma escritora do Modernismo brasileiro. Tinha com principais estilos de texto os romances, contos e crônicas, produzindo tanto em formato de poesia como em formato de prosa. Sua escrita trazia uma linguagem bem intimista e suas narrativas costumam envolver tramas psicológicas. Ela não apenas consegue aprofundar os pensamentos complexos e conflituosos de seus personagens para o leitor, como também faz descrições psicológicas bem precisas, que costumam terminar em epifanias de seus personagens.
Essas revelações são marca registrada de suas obras, geralmente acontecendo nas situações mais simples e banais do cotidiano. Uma mosca voando, um cego mascando chiclete… Enfim, qualquer situação pode desencadear uma conclusão ao raciocínio dos personagens. Outro ponto extremamente relevante é que as protagonistas de suas obras são mulheres, trazendo o destaque para a figura feminina, fortemente oprimida no Século XX. Por fim, é válido ressaltar que Clarice adiciona muito do seu próprio dia-a-dia em suas obras, trazendo uma conexão real entre o leitor e os livros.
• Quais foram as 7 maiores obras de Clarice Lispector?
1 – Perto do Coração Selvagem (1943)

Perto do Coração Selvagem não apenas é o primeiro romance escrito por Clarice Lispector como também é um dos mais elogiados da sua carreira. Marcado pelo seu estilo introspectivo, o livro traz problemáticas existenciais, narrando a história da protagonista Joana, uma mulher que fala sobre sua realidade social e seus problemas em dois planos: sua infância e o início da sua vida adulta. Dito isso, este romance também traz um regionalismo bem forte, uma característica muito presente na Literatura Brasileira desta época.
2 – Laços de Família (1960)

Laços de Família é um livro que reúne 13 contos diferentes. A maioria das protagonistas apresenta epifanias para problemas pessoais em situações corriqueiras da vida, como a fila do supermercado ou em uma festa de aniversário. Boa parte delas são donas de casa com problemas conjugais, familiares ou com a opressão social das mulheres no cotidiano. Segundo críticos, o livro parece refletir conflitos da própria Clarice na época.
3 – A Legião Estrangeira (1964)

Similarmente à obra citada anteriormente, este livro é mais um compilado de contos da autora. São contos de temas variados, como solidão, abusos na infância e problemas familiares. Surpreendentemente, um desses contos, “Viagem à Petrópolis“, teria sido escrito quando Clarice Lispector tinha apenas 14 anos.
4 – A Paixão segundo G.H. (1964)

Decerto, uma das obras mais famosas e chocantes da autora. O enredo desse romance se inicia com uma mulher, conhecida apenas como G.H., tendo esmagado uma barata na porta de seu guarda-roupa. Enquanto observa aquele inseto morrer lentamente, G.H. divaga sobre a perda de sua individualidade ao mesmo tempo que busca atingir a sua verdadeira essência. Sua estrutura é um monólogo organizado em capítulos que se iniciam com a última frase do capítulo anterior. Por tudo isso, o leitor tem a sensação de estar indo e voltando nos pensamentos da protagonista, percebendo o paradoxo que as suas palavras, ao mesmo tempo que afastam a personagem de si mesma, são a chave para atingir sua real versão.
5 – Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres (1969)

O sexto romance escrito por Clarice é apontado por muitos especialistas como uma continuação de A Paixão Segundo G.H. Vários fragmentos dessa obra já haviam sido publicados como crônicas que a escritora publicou no Jornal do Brasil entre os anos de 1967 e 1969. Em resumo, é contada a história amorosa entre Loreley e Ulisses, professores primário e de Filosofia respectivamente. Aliás, a tensão entre os dois e seus diferentes objetivos é o ponto central da obra, proporcionando ao leitor alguns aprendizados e autodescobertas.
6 – A Hora da Estrela (1977)

Sem dúvida, a obra mais conhecida de Clarice Lispector. Esse belo romance narra as aventuras da datilógrafa alagoana Macabéa por meio de um segundo personagem: o narrador Rodrigo S.M. Enquanto a nordestina tenta se adaptar à sua nova vida no Rio de Janeiro, o narrador vai contando a história e a escrevendo simultaneamente, conforme a sua própria visão dos fatos. É como se o personagem se tornasse o autor da obra de Clarice. Por isso, essa dinâmica entre dois personagens de ambientes distintos com o leitor transformam esse livro em uma experiência única.
7 – Um Sopro de Vida (1978)

Um Sopro de Vida foi a última obra escrita pela autora. Com falas fragmentadas e diversos fluxos de consciência entre os personagens, esse romance cria um multiverso entre os personagens e o leitor. Em resumo, o personagem denominado “Autor” decide criar a sua própria personagem e, assim, criar uma realidade controlada por ele para poder entender a ausência de vida, observando de fora. Por fim, a personagem criada chamada Ângela Pralini acaba tendo mais poder de decisão sobre sua história do que o próprio “Autor”, emancipando-se.
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